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22.1.12

recordando a Lorca (1)

O cadáver cachorro sou eu,
bebendo o vinho esquisito, cego & falido
em AndaLUA,
eu, um cão
que oito anos depois você veria
bicicletas por NY
(homem de incríveis orelhas ao vento)
já sem aqueles ojos
cortando a pista
ela me esperava com o terno na cama preparada
cheguei com as formigas
as formigas
até quando você entenderia
que não houve cão em Andalucia
burros-mortos montados em meus pianos
era preciso removê-los
rebocar toda a morte
cantei mudo
você não queria ver
Não!
Eu também não queria:
nenhuma canção de tuas intrigas.



"... A vaca do velho mundo
passava sua triste língua
sobre um focinho de sangues
derramados na areia,
e os touros de Guisando,
quase morte e quase pedra,
mugiram como dois séculos
fartos de pisar a terra.
Não.
Não quero vê-lo!
", fragmento de La sangre derramada, F. G. LORCA

"Será necessário que você saiba que Deus é uma grande montanha VIVA. Tem uma pele de moscas e acima uma pele de vespas e acima uma pele de lagarto e acima uma pele de vermes e acima uma pele de homens e acima de tudo uma pele de leopardos. Você consegue ver isso? E por cima de tudo isso uma pele de galinhas. E era isso que não sabia nossa amiga.." fragmento de La gallina (cuento para niños tontos) - 1934, F. G. LORCA (livre-tradução/ Srta. T.)


antes: Lorca & Salvador Dalí


antes: Federico Garcia Lorca, Auto-retrato em NY


DEPOIS
ver também (audio): entrevista com Reto Melchior, autor do livro Viaje a La Luna: uma biografia em Projeção, análise de um roteiro de Federico García Lorca (via Radio USP).

23.12.11

pequena galáxia (haroldeana)

entre três tequilas e duas vodkas você me disse sim-sim queria com as mãozinhas de quem se abre ou como se abre um livro de poemas do Buk ou o que você estava escrevendo você não sabe mas aquele poema mudou tudo e você continuava anotando tudo sem parar era um livro assim como me disse que havia algo em vocês ou entre vocês três e que existia algo que precisava ser dito e já escrevia rapidamente para se lembrar sempre do que deveriamos dizer novamente e novamente e que talvez um dia chegasse a ser algo que se aproximasse ou exprimisse ou fosse eu que chegasse na porta da tua casa com um saco de latas você viesse com o fumo e depois falássemos durante horas várias coisas pela boca indo e vindo e mais uma vez o que não falávamos era o dito e você disse que não poderia gastar seu tempo pensando em algo que não fosse prático as contas por exemplo e isso era possível somente para você enquanto conversávamos não pensar no que se ia dizer ou escrever sobre aquilo que era belo por ter estado oculto e não me incomodava não mesmo teu sim para o não-egonada fala mais e fala mais eu confiei o grande livro que ainda não fora traduzido e estava completamente a fim de que você o abrisse e trabalhássemos juntos e dentro e nos envolvêssemos completamente até a palavra única e assim nos tornássemos um feixe e fôssemos o mais dentro possível e lá no encontro dos ossos-luz e enfim dançassemos morte e vida morte e vida girando em círculos até o topo da montanha teu céu ou um calibri apontado para o grande parque que eram nossas cabeças para que desafiássemos a paralisa com espíritos altamente voluntariosos & livres mesmo porque era preciso não ter medo nunca de ser rigorosamente único neste que é teu caminho que atravessa e continua no ritmo dessa transa possível entre uma cabeça-de-anjo e um corpo-mais-que-humanizado e eternamente nu completamente perto e assim te quero caminhando até entrar no primeiro táxi que passar e assim continuar rumo por essas galáxias que são enfim uma grande festa diária que acende e apaga.

lá vai você e eu estou te vendo daqui, enquanto você passa sem me ver.




ver também: além-oriente, abolição da fronteira poesia-prosa & Haroldo de Campos, em absoluto.

9.9.10

memórias cariocas (capítulo primeiro)

há mais de cem (ou cento e noventa e sete anos) estive eu caminhando lentamente por Botafogo. cigarro no bolso. chapéu-coco. salve manuel, eu. meu caminhar era coisa de cinema ou aquela novela toda. dá pra imaginar: visualizo-me superando Jim Jarmusch - pisando sem cuidado pelo asfalto improvisado. pedras portuguesas, que beleza. puro jazz-proto-bossa-nova. ah sim, eu era um velho (mas bem moço por suposto) português com bastante sotaque e bigode portugueses e aquela piada toda. aquele clichê, sabe como é. riem-se de mim. riem-se porque não sabem a verdade dos fatos. tive eu uma padaria em Botafogo. facto. nasci pobre. facto. fui assaltado. facto. por conta disso meu original estabelecimento ficou conhecido como PADARIA NO SUFOCO. e eu, como o sufocado.

"fala manuel, tá mais calmo?"

calma nunca foi minha prioridade. meu lance tá mais pra resolver. se me perguntam "tá resolvido", direi sim, claro. está tudo determinado. por vezes acho que deveria me orgulhar disso - isso que no fundo se chama fé. alô cristo ai em cima, continuo aqui embaixo. não é pra qualquer um, te digo por tudo que é santo e por tudo que é ou foi cruxificado. o cara depois de ter sido amarrado, vedado, sufocado e explodido pra dentro deve ser considerado. não quero estátua nem cântigos. só quero flores um lápide (caixinha de cinzas) escrito: pronto, resolvido. um dia me assaltaram e me amordaçaram e eu explodi pra dentro. sabes como é isto?

26.7.10

Ponta Negra (black sessions)

vejo a praia, vejo o mar, vejo as menininhas e os gringos. eu aqui perdida nessa tempestade de areia - nem me vejo mais. contemplo e venho a considerar esse exagero um chamado. vem, se aproxima. vou na onda. volto na onda. a onda me tira de lá. estou na presença dos deuses, ao passo que cheiro minha mão - protetor solar. você, sempre você meu cavalinho me animando a mente - como um livro de cortázar. eles vêm de onde? aposto que frança. usam tênis para tomar sol. elas vem de onde? daqui mesmo. elas querem dinheiro. deve ser muito difícil a vida por aqui fora de temporada. deve ser foda. imagina, o mar indo e vindo e você lá. cadê os restaurantes? as casas de câmbio? os vendedores de pulseiras e lamparinas? somente os monstrinhos do calor, onde você pisa. a menininha passa creminho no pé do gringo. ele ri e devolve um óculos de sol. arregala que tem regalo. devo pensar no movimento. essa coisa de avançar, que tal? avançar, da areia pra o concreto, do concreto para cima das casas. das casas, subo o morro e vou invadindo. meu nome é mar. mulas geradas no atarefar diário, essa coisa de repetir e repetir e achar que vale um prêmio (regalo, regalo) ainda vai nos enterrar vivos. talvez aqui seja mais fácil. essa coisa de Brasil chegando tem algo de black sessions. tem algo em mim que diz não Brasil, se foda. tem um cara passando com um carrinho de pranchas. vai chover e lá vem o tubo. fui.

29.6.10

CANTADAS (do absoluto)

um diálogo com Joe Vitale, autor de Limite Zero. A "identidade apropriada" por T.


I) EXTRA! EXTRA
Memórias que se repetem no subconsciente
se transformam em REPETIDOS problemas.
"antigas aflições renovadas", dizia Shakesperae
"Você tem medo de olhar para dentro", disse Mutarelli
Eu vos digo:
é preciso libertar as memórias, agora.

II) Os cães adentram o cercado
e do ponto de vista de um homem
(que vê eles chegarem enormes, sem deixar de ser homem, do ponto de vista de um cão)
comprimem-se:
medo do esmagamento e
a certeza do devir-fome.

III) Métodos para zerar memórias:
meditação (ativa), sonho e escrita -
e algo mais que devo ter esquecido, já.

IV) RECUERDOS:
Quando realizado o trabalho (tentativa), em 2002,
foi proposto que eu me transubstanciasse em
ANIMAL (macaco)
VEGETAL (galho voante)
MINERAL (pedra)
RESULTADO: memória transmutada em rompimento do menisco (joelho).
Ver também: por que não conseguir alcançar a paz?

V) Deveria ter afirmado
Ihaleakala (Paz do Eu)?
Por via das dúvidas:
IHALEAKALA.

VI) Esse é sua vida
Essa é minha vida
(superando Nelson Rubens)
- Mas doutor, por que sofro dessa enfermidade crônica?
- A responsabilidade é sua.
- Por que as pessoas me enchem tanto o saco?
- A responsabilidade é sua.
- Pra que tanta gente?
- A responsabilidade é sua.
- Por que me foi negado?
- É sua.
- Quem?
- Sua. A paz começa em você.
Paz do Eu (Ihaleakala)

"A culpa é bem mais fácil que a total responsabilidade"
(superando Jesus)

VII) E lhes foram oferecidas duas opções: MÉMÓRIA ou inspiração.
O primeiro, que escolheu o martírio, foi aprisionado pela igreja, família, estado e todas as instituições as quais servir - dentro da cidade, cheia de mortos. O que se inspirou, virou surfista-escritor, como manda o MÉTODO HAVAIANO.

VIII) IMPORTANTE: segundo antes da execução do movimento o insconciente já projeta a intenção. A intenção inconsciente não pode ser controlada. MAS pode ser bem (ou mal) alimentada.

IX) "As intenções são premonições; símbolos que lampejam nos cantos da consciência para indicar o que talvez esteja prestes à ocorrer." pg 18

X) Erro corrigido = Ho’oponopono realizado - Memórias e programas desativados (pessoas, lugares e coisas) - Arquivos do cérebro deletados (limpeza de disco)- arquétipos desmoronando em ritmo dominó - sucumbo ao símbolo, aqui mantrificado:
eu te amo, por favor me perdoa, sinto muito e obrigada
eu te amo, por favor me perdoa, sinto muito e obrigada
eu te amo, por favor me perdoa, sinto muito e obrigada
eu te amo, por favor me perdoa, sinto muito e obrigada
eu te amo, por favor me perdoa, sinto muito e obrigada
eu te amo, por favor me perdoa, sinto muito e obrigada
eu te amo, por favor me perdoa, sinto muito e obrigada
eu te amo, por favor me perdoa, sinto muito e obrigada

22.6.10

menino, o homem.

o menino que era o homem entre os bípedes. ele atravessou a rua despretencioso. parou na calçada. olhou para ela. teve certeza. depois do abraço-urso teve certeza outra vez. talvez tenham sido os olhinhos somados aos dentinhos que juntos - ainda que separados - reluziam algo que de pureza ainda tinha no menino, o homem. o homem entre os meninos. e depois foram silêncios, horas sem dizer nada (hora-abraço). dorme o mal-dizer, as assombrações e tudo aquilo que não deveria ter sido dito. nina tinha no peito algo que batia lento, reduzida a quase nada a força da ânsia. vão-se os corações e quando fica o sorriso há esperança. sim, era o menino. ele estava por perto e sentia pelos dentes dela. e eram símbolos e era tão novo mesmo sendo repetido. era manhã e era cama e era noite e era cada vez menos (menino).

"O eterno é a leonidade que nós vemos no gato." Paulo César Peréio

6.4.10

O Pesa Nervos

de Antonin Artaud

O difícil é encontrar de fato o seu lugar e restabelecer a comunicação consigo mesmo. O todo está em certa floculação das coisas, no agrupamento de toda essa pedraria mental em torno de um ponto que falta justamente encontrar.
E eu, eis o que penso do pensamento:
A INSPIRAÇÃO CERTAMENTE EXISTE.
E há um ponto fosforescente onde toda a realidade se reencontra, porém mudada, metamorfoseada — e pelo quê? — um ponto de mágica utilização das coisas. E eu creio
nos aerólitos mentais, em cosmogonias individuais.
Toda a escritura é uma porcaria.
As pessoas que saem do vago para tentar precisar seja o que for do que se passa em seu pensamento são porcos.
Todo o mundo literário é porco, e especialmente o desse tempo.
Todos aqueles que têm pontos de referência no espírito, quero dizer, de um certo lado da cabeça, em bem localizados embasamentos de seus cérebros, todos aqueles que são mestres em sua língua, todos aqueles para quem as palavras tem um sentido, todos aqueles para quem existem altitudes na alma, e correntes de pensamento, aqueles que são o espírito da época, e que nomearam essas correntes de pensamento, eu penso em suas tarefas precisas, e nesse rangido de autômato que espalha aos quatro ventos seu espírito, — são porcos.
Aqueles para quem certas palavras têm sentido, e certas maneiras de ser, aqueles que
mantêm tão bem os modes afetados, aqueles para quem os sentimentos têm classes e que
discutem sobre um grau qualquer de suas hilariantes classificações, aqueles que crêem ainda em "termos", aqueles que remoem ideologias que ganham espaço na época, aqueles cujas mulheres falam tão bem e também e que falam das correntes da época, aqueles que crêem ainda numa orientação do espírito, aqueles que seguem caminhos, que agitam nomes, que fazem bradar as páginas dos livros — são os piores porcos.
Você é bem gratuito, moço!
Não, eu penso em críticos barbudos.
Eu já lhes disse: nada de obras, nada de língua, nada de palavra, nada de espírito, nada.
Nada, exceto um belo Pesa-nervos.
Uma espécie de estação incompreensível e bem no meio de tudo no espírito.
E não esperem que eu lhes nomeie esse tudo, que eu lhes diga em quantas partes ele se
divide, que eu lhes diga seu peso, que eu ande, que eu me ponha a discutir sobre esse tudo, e que, discutindo, eu me perca e me ponha assim, sem perceber, a PENSAR — e que ele se ilumine, que ele viva, que ele se enfeite de uma multidão de palavras, todas bem cobertas de sentido, todas diversas, e capazes de expor muito bem todas as atitudes, todas as nuanças de um pensamento muito sensível e penetrante.
Ah, esses estados que nunca são nomeados, essas situações eminentes da alma, ah, esses intervalos de espírito, ah, esses minúsculos malogros que são o pão de cada dia de minhas horas, ah, esse povo formigante de dados — são sempre as mesmas palavras que me servem e na verdade eu não pareço mexer muito em meu pensamento, mas eu mexo nele muito mais do que vocês na realidade, barbas de asnos, porcos pertinentes, mestres do falso verbo, arranjadores de retratos, folhetinistas, rasteiros, ervateiros, entomologistas, praga de minha língua.
Eu lhes disse que não tenho mais minha língua, mas isto não é razão para que vocês
persistam, para que vocês se obstinem na língua.
Vamos, eu serei compreendido dentro de dez anos pelas pessoas que farão o que vocês
fazem hoje. Então meus gêiseres serão conhecidos, meus gelos serão vistos, o modo de
desnaturar meus venenos estará aprendido, meus jogos d’alma estarão descobertos. Então meus cabelos estarão sepultos na cal, todas minhas veias mentais, então se perceberá meu bestiário e minha mística terá se tornado um chapéu. Então ver-se-á fumegar as junturas das pedras, e arborescentes buquês de olhos mentais se cristalizarão em glossários, então verse-ão cair aerólitos de pedra, então ver-se-ão cordas, então se compreenderá a geometria sem espaços, e se aprenderá o que é a configuração do espírito, e se compreenderá como eu perdi o espírito.
Então se compreenderá por que meu espírito não está aí, então ver-se-ão todas as línguas estancar, todos os espíritos secar, todas as línguas encorrear, as figuras humanas se achatarão, se desinflarão, como que aspiradas por ventosas secantes, e essa lubrificante membrana continuará a flutuar no ar, esta membrana lubrificante e cáustica, esta membrana de duas espessuras, de múltiplos graus, de um infinito de lagartos, esta melancólica e vítrea membrana, mas tão sensível, tão pertinente também, tão capaz de se multiplicar, de se desdobrar, de se voltar com seu espelhamento de lagartos, de sentidos, de estupefacientes, de irrigações penetrantes e virosas, então tudo isto será considerado certo, eu não terei mais necessidade de falar.

26.3.10

senhoura Lispector

para Júlia

Entrevista que assisti na exposição da senhoura Lispector, no CCBB Brasília, ainda neste último mês. Nunca tinha a visto antes - nem por vídeo e mal por foto. Roubei Água Viva ainda na 3º ou 4º série (na biblioteca da Escola Paroquial), onde estudei. Tinha gostado da capa azul. Só fui ler anos depois.

Na verdade, só consegui ler (auto-sugestão) depois que fucking dad morreu (aqui fagocitado), este e outras dezenas de livros que eu colecionava (mesmo sem lê-los). Meu pai colecionava livros também, mas ele lia. E lia quase todo dia. Tenho uma fotografia de cérebro dele deitado na cama depois do almoço lendo, talvez Cavalo de Tróia. Meu avô (pai do pai) colecionou também muitas coisas, das que foram parar lá em casa (canetas, chaveiros, lápis, discos e também livros) após a falência de seus órgãos. Tive vontade de compreendê-los; ainda tenho.

Foi então que Clarice permaneceu em minha estante. Assim como jorge e meus outros cavaleiros. E mesmo depois d"O ovo e a galinha" talvez ainda não tivesse compreendido (assim como ela mesmo diz), e mesmo depois de ouvir, e re-ler, repetidas vezes - até hoje leio esse conto -, talvez não fosse possível compreendê-la. Nem ele. Água Viva antes e depois de Sartre. José Jorge antes e depois de sua morte. Clarice antes e depois do olho.

De volta aos livros e as coleções, agora sim, mais viva que morta, aquela imagem little more blue de Clarice teria entrado junto no abismo proposto. Esta distinta senhoura de língua presa, olhar calejado, misteriosa cadênciosa, e cuidadosa, muito - no olhar impresso na tela de minha'lma. Agora miro TEUS OLHOS: SIM, ABISMO.

aqui transcrito:
"Eu nunca assumi! Eu não sou uma profissional - só escrevo quando eu quero - (pausa). Sou uma amadora e faço questão de continuar sendo amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever. Ou então com o outro - em relação ao outro. Agora eu... Faço questão de não ser um profissional para manter minha liberdade."

21.3.10

roda de equinócio

"A inspiração dos vates, dos profetas que davam vaticinii em estado de transe como se o deus falasse por sua boca, foi perseguida com ênfase pelas autoridades romanas." Deusas e adivinhas, de Santiago Montero

Aqui renascida: 21 de Março. Eu, Carmenta, Deusa da previsão-verso, coroada DEMENTIA por vós que sois homens (romano-farpados).

Às 21h do dia 21/03
Berrou Carmenta
já nascida com a tatuagem de plexo/anúncio:
De todos os cantos, o canto de todas'elas.

Disseram que cantou escroto
e foi esfolada
por ter insunuado o verbo à dança com o despudor
e desembaraço -
teria também sussurado ouvidados:
amem e se deixem levar por esta força.

AQUI GARGALHO.

Qual força, minha senhoura?
A que te move, seja ela fôlego, rumo ou desejo - não confundir com piedade ou compaixão aos fracos.

Há de se compadecer, sempre
só que somente
EM NOME DOS FORTES,
dos grandes espíritos,
das explosões de luz e clarividência.

Há de se deixar levar -
ESTA É A DANÇA.

Este é meu corpo
imensurado
que a vós dedico, sempre:
eterna.

Enquanto isso, dançavam todas (esfoladas vivas):
Carmenta, a Fauna, Parcas, Egéria, Juno, Fortuna, Dido, Tanaquil, Pítia, Monstra, Andrógina Lilu, Daphne, Madalena, Santa Maria da Cabeça, Marina T., Clarice, Hilda H, A Puta Albina...


*Este texto foi escrito por Madame Felix Culpa, entidade co-habitante em Juliet Jones e Srta T.

* Nasce também Tamara Costa (21/03/1984).

24.2.10

Madame Felix Culpa

Aqui vos apresento: Madame Felix Culpa, ordinária asceta.

Um oferecimento de incorporações Juliet Jones e Srta T. LTDA.

10.2.10

Ain't no grave

Ele fecha os olhos e vira o rosto para os dois lados numa tentativa de capturar tudo que está a sua volta. Lentamente a intenção de um sorriso ecoa em seu semblante. Dentro do quarto a cortina ondulava ao vento e lhe confirmara algo. Lá fora a nuvem se juntava a fumaça dos carros – e acima de tudo isso o ambiente é céu (seu). Dali, tudo parecia tão pequenino, tão calculável... A surpresa da cidade-tédio clamou ainda - três vezes - por ele. Nunca o somente pão, nunca o tão só o tijolo, nem o sonho. Seria a noite um buraco? Disse "nada é tão grave", e fechou os olhos outra vez.

"Ain't no grave can hold my body down..."

Ver também:

5.2.10

Messenger bird (idéias no ar)


Ou sobre o que os pássaros estão fazendo, in RITUAL VESPERTINO

Isso é uma transmissão decodificada por um excêntrico pássaro (cyber bird) que sobreviveu a catástrofe das ondas de propagação via eletricidade - nuvem informativa - que culminou no fim do tempo dos humanos. Ano 2077: datacenter externo reativado em Cloud Computing (via birds). Aqui relatado:

Dos homens passamos a pássaros. Esses que simplesmente voam - sem saber pra onde vão e ainda assim seguem seu rumo, sem titubeios ou preocupações. Pré-ocupação é relato. "Não somos mensagem, somos apenas os mensageiros", Wings of Desire (merci, Wim Wenders). No tempo das asas, quem tem mão é rei. Não somos a mensagem, reitero. Aqui nego este posto e disfarço meus dedos (aberração de usura incalculável) entre as penugens. Não temos acesso nem sequer sonhamos onde as mensagens estão armazenadas. Temos a tarefa de transmití-las, repassá-las. O segredo da placa-mãe não deve ser violado (Gaya Elastic Compute Cloud).

Do armazenamento de toda informação que fora destrinchada pouco se fala. Sabemos que está em algum lugar mas a nós não cabe a pergunta. Acesso retomo wireless - wi-fi protected acess. Precisamos voar - repassar a mensagem - não temos tempo para questionamentos. Não sabemos qual é a mensagem. Atenção, desafios no ar: seguir fluxo de segurança e não afetar o day-fly-day dos pássaros.

Sou um dos poucos pássaros (civilizado-rememorado) que ainda ondulam via tweets. Eis que a força da civilidade não resiste ao chamado da natureza - e ao entusiasmo do Cloud. Aqui, decodificada a vibração de suas mensagens, já que temos a própria linguagem bird, que independe das palavras. Vibração propagada com sucesso. A conservação do circunscrito entre o visível e o não-visível, aqui relatada. Múltipo quadridimensional. Ouvidos humanos não costumam detectar essa espécie de ruído – da superação dos tweets.

Tente captar mais uma vez. Ok. Mensagem decodificada. Mãos a obra, asas. Grandes idéias não irrompem de súbito. Vou ultrapassar o número de caracteres. Isso pode ser mortal.

Estrelas azuis quentíssimas tostam meu bico enquanto daqui (wireless) ultrapasso o limite de caracteres permitidos. Oh gosh, protect my overdone tweets. Se vocês soubessem a ordem dos céus, talvez eu não tivesse existido. Nem passado da terra às nuvens. Foi preciso voar pra continuar, foi preciso ouvir o chamado. Talvez não fosse possível ser tão pássaro sem ao menos ter a noção disso.

WHEN THE NIGHT IS COMMING...


Sucumbo ao símbolo
Outros figuras potencializam necessidades
Então, aqui visualiza-se
O olho que dança na nuvem
Diante dos sete sois que se explodem
E reconectam-se a placa-mãe
Atenção:
Risadas são códigos

Acesso as informações registradas perdidas no intermundo finalizada. Au revoir e à revoada. Cambio... Cam... C...

...
...


Ver também: Mas o que é mesmo Cloud Computing? e TinyUrl (o zero kcal das urls)

*Este post está participando do Concurso Profissão Blogueiro, que vai premiar três blogueiros com netbook e kit completo para quem quer ter um blog de sucesso. Acesse: www.ideiasnoar.com.br/profissaoblogueiro.

2.1.10

Das cavalidades

Antístenes terá dito a Platão: “Eu vejo um cavalo, mas não vejo a cavalidade”, ao que Platão respondeu: “Porque não tens olhos para vê-la…”

- Hoje estou com tanta raiva que preciso bater em uma mulher, maltratar um bichinho sabe? - perguntava-se Cara, que ao meu lado falava sozinho. Minha ação repentina foi responder "Sabe? Sabe? Sei, claro. Aceita uma vassoura no rabo?". Face a face, ou cara-a-cara, no sistema antigo, tal linguagem fora proibida. Agora somos autorizados a falar de tudo, ou quase. Instintos repulsivos. Nós, os cavalos. Daqui, ME SEPARO. Ultrapassagem pela DIREITA - rápido, antes de ser alcançada pela Cavalaria de Guarda.

Rua do Ouvidor, 27 de Dezembro, n. 2009. Delegacia das Éguas Açoitadas. São aproximadamente quatro horas de espera, no mínimo, para nós, éguas, sermos atendidas. Uma jovem potra chora no balcão de espera, ao lado das senhas que organizam o atendimento. Enquanto todas nós aguardávamos, ouvimos a respiração ofegante de Pônei, que estava quase dizendo adeus. Fora socada no estômago horas antes, entre outras vísceras que lhe foram pancadas. E nada de - Próximo! - se ouvia. A situação, aos poucos, ia se tornando cada vez mais insustentável. O que estão acontecendo com os cavalos? Alguém me responda logo. Já são mais de cinco horas. Uma cena horripilante aqui, nesse estábulo, o retrato decadente do ambiente onde se busca a resolução (ou seria cura?) para o ferimento exposto. Disseram que talvez Bruto (ou os Brutos, temos vários) estivesse alcoolizado, mas não foi pego no dopping e, dropado-ando, infringiu a Lei Cavala.

Jockey Club é ambiente contrário de estábulo - sala dos perdedores, transgressores e alados. O último suspiro do unicórnio isolado. In nomine de TEU PROGRESSO, oremos:

O Homem Cavalo
avança
tro-tando (Tróia)
é que não há acima ou abaixo, insistiu S. C.
E assim, tudo que está a frente
fora - OU SERÁ - pisoteado.
Disse também "dá-se o que se tem"
depois de questionado
- E os que nada tem?
Respondeu:
Acanca-te as patas, ora,
ou os dentes -
AQUI RANGIDO.

Ver também: Mulheres que correm com os Lobos e Mulheres que transam com Cavalos.

Reunidos no espetáculo, prestávamos atenção ao que dizia o locutor. "Façam suas apostas!". Na moeda dos cavalos, lembrar. Temos Gente Sem Estilo e também Gente Sem Todo ou Qualquer Estilo. Quadrifeta. Do outro lado Sem Tesão, ao lado de Sem Persona. Quem vai? But think twice, it`s my only advice. Sanguinário - este sempre, sempre que passa para o outro lado leva um susto. Visualmente estão todos selados (eternas marcas, tatuagem de plexo).

Deste lado há os que apostam forte, caro - aqui pertinho, temos também, Equivocado. Como se isso de estar nos pavilhões (daqui, isolados) fosse motivo para deixar o tesão rolar (sabe como é cavalo com tesão, né?). É cavalo apostando em cavalo, as apostas todas insaciadas, zona, pura zona, cavalo montando em cavalo, esbórnia, gente, esbórnia, ou quaisquer das cousas ditas civilizadas (ou cavalizada, estas, que deveriam ser sempre lembradas), são de imediato esquecidas... O espetáculo é a animalidade, tão somente - e a vós pergunto, agora estois Perplexus?

- Não quero mais correr, nem brigar, não quero foder (isso eu faço em outro lugar), não quero saber de onde vocês falam ou apostam - só quero FALAR ALGUMA MERDA DIFERENTE, disse o cavalo, abatido do trote. Tendo também infringido a Lei, fora sacrificado.

Também relincharam:
- Então, você acredita em Cristo?
- Curte fumar um?
- Então, só acho que vai ser difícil você falar com alguém se for com essas perguntas.
- Mas que revolta!
- Gostei, também penso assim...
- Não percebeu que ninguém quer falar contigo?

Falsa Dignidade ocupa o primeiro lugar do ranking. As apostas seguem até o último minuto. "O Executor já está no box", avisaram pelo radio-fone. Secos em extremo, os viciados repetem em uníssono que é preciso (imprescindível) passar pelo Jockey Club para ser um vencedor. EQUINUS EMBARAÇUS.

- Ah, meo povo, oh meo povo, uh meo povo - relinchou Sátiro. Sua fala fora acompanhada de - uma surra de chicote pra sofrer.

- Olá. Boa noite. Toparia ser paga para realizar fantasias? Não busco uma égua de programa, acompanhante ou potra-prostituta. Busco uma fêmea com a fantasia, fetiche ou curiosidade de ser paga. Tenho a fantasia de pagar uma que não seja égua de programa. O que acha da idéia? Topa? - apostou Garanhão.

"Alguém me segura? Vou começar a correr". Gritava, já indo, crina ao vento primeiro, aos reunidos na sala de partida. Relincharam-se, como se um entre os Equus, tivesse o poder de gritar a partida, ou até mesmo de falar algo que não fosse - RELINCHO. "Vou dar a largada!", insisti. E ainda assim, como se tivessem encarcerados, ou seria como se tivessem freios na boca e rédeas (assim mesmo como um cavalo montado) - e não estavam. Duas vezes seguidas me ignoraram. Um pouco rouco, me apresentei e fui ter com os ventos da montanha - que era o lado contrário do círculo do Tuff. Com velocidade, escapo. Minha crina ondulava ao vento, e era como se eu tivesse asas. Eu, era um outro - CAVALO DE FOGO. E por entre os campos, aventurado desapareço.

S.C - Superando Cavalos (eu-protagonista).


NOTA

E F. Nietzsche, após ver Cocheiro açoitando Cavalo, ficou dois dias seguidos desmaiado. Precária saúde agravada, disseram os doutos. Teria sido-lhe necessário (automedicação) haxixe, cloral e ópio. Foi pego no exame de dopping enquanto ouvia Cavalgada das Valquírias, de Wagner, em seu proto-i-phone. Mais morto que vivo, ou depois de morto, suas palavras ecoam, no tempo dos cavalos, "Deus está morto. Viva Perigosamente. Qual o melhor remédio? - Vitória!".


* Este texto foi publicado na Revista Cronópios - ver

6.12.09

Décadence (par excellence)

Que tive acesso a esse sentimento (compaixão) de maneiras distintas às postas em prática em nome dos fracos. Não, nada similar a lástima, dó ou piedade. Piedade é uma prática religiosa, puro risco. Não era devota - nunca fui, nunca hei de ser. Sei que estive na guerra. E ainda continuo. Era como entender no íntimo sua dor e dela partilhar - tatuagem de plexo/emblema. Como se eu entendesse, ou mesmo, como se a dor fosse minha. Eu quem? E foi então que senti os tiros e o gosto de sangue - frio. Ultimatum "atire, atire".

"Vocês sabem a sensação que dá quando cospem na sua cara e jogam lixo por sua goela abaixo? Vocês sabe a sensação que dá cavar sua própria sepultura? Vocês sabem a sensação que dá ter sua garganta cortada de orelha a orelha? Vocês sabem a sensação que dá ser queimado vivo? Vocês sabem a sensação que dá ser humilhado e ser pregado em uma cruz para sangrar até a morte para sua diversão?"
trecho do manifesto-multimídia (vídeo/BBC) executado por Cho Seung-Hui, responsável pelos ataques que mataram 32 pessoas na Virginia Tech University - Maio de 2007.

Como se eu fosse um outro qualquer. Como se tivesse lutado na guerra para que não tivesse avelhentado tão rápido quanto os que pereciam a meu lado. Então, era avante. Não pelo que viria depois, não pelos motivos da batalha. Só aderi ao front porque desejava a incrível guerra (anti-cruz).

Vocês que são homens fortes, homens da luta, aos cavaleiros da ordem oculta, Homens da Fênix (merci Borges), me inclino. Este corpo diz pertenço também à tua batalha. Contudo ninguém acreditaria se acaso eu afirmasse, com convicção, que pertenço à guerra. Eles duvidaram da força de uma mulher, e mesmo depois de vê-la parir - mesmo depois de vê-la parir. Eles continuam matando (tentativas) os profetas, entre outros vícios.

PS: A palavra é a prova de balas.

Ver também: Bortolotto perdeu metade do sangue do corpo

3.12.09

Glamour X Morte X Hedonismo

Lombardi morre aos 69.
Leila Lopes se mata - desencarna numa cadeia de recuerdos de seus saudosos meia-noves.

CÁLCULOS CAVALÍSTICOS
6 + 9 = 15
1 + 5 = 6

Morri também - onde estou? Por cima ou por baixo de tudo isso? De pé ou de ponta-cabeça? Meia ou nove? Olho para frente - esfinge. Entro no abismo. Tiro uma carta:

9.10.09

medidas permanentes de como saciar a sede
ou a fome
inerentes
desde sempre
a chama esteve acesa
para que depois compreendessem (mentira)
coração e adultério
- só mais um capricho dessa sumptuosa víscera.

com tamanha histeria pela
resposta -
vício ou neurose?
lembro-me
desde o primeiro não
(ainda assim vinha-se o sim tomado a força)
que era preciso não querer
nunca - crivo.

passados anos-fogueira
ou depois de todos os sim(s) consentidos
aqui se instala:
o arrebatamento e a desmesura
d'ela.

“No son temibles las normas, sólo aquellos que se las creen...” ao ver também Valérie Tasso

30.7.08

vertigem

daqui, outra vez deste ponto-abismo de onde já olhamos juntos uma vez, reaninho passado e presente e vendaval. tu, nada mais de ponte ou de cerco ou de vaca. das representações restantes, principalmente um riso ecoando lá de cima. riso que em mim te gargalhva (vice-versa). retrocedo (co: subida-frio-a-voz-dela-ecoando-para-toda-noite-entre-nós-ela-nunca-sós). por baixo ou por cima de nós (e tudo isso), círculos infinitos de contentamento e soluços de fadas, cristais e rochas under-operantes em nossos plexos abertos. depois, o caminho das pedras. e assim como antes, diante de ti, abismo, hoje consigo, por um instante, não me jogar por inteiro, não, dessa vez só me ajoelho e olho para ter certeza de que estou à beira. no lugar onde tu não mais podes me empurar. agora (descendo-pra-cima-sem-tu-ou-ela-noite-eu-eu-eu) já não posso mais permanecer no tempo-instante daquela foto de nossos cabelos-laços entre-cortando a árvore: entre o inverno e a praça...

o sol amanhece esquentando o chão, de onde miro a poeira de tuas paisagem progressivas.

5.12.07

São três meses seguidos de desastre infinito. Multidama buraco negro que há tempos fucking you – for backwards, no cimento, com britas - no se culpe -, repete - a nadie, finaliza. Medo e alienação descaracterizam a força das atuações diferenciadas.

"Trata-se aqui, essencialmente de uma baixa de nível repugnante, de um aborto vulgar. A vida da escória não é invejável. Ela perdeu a elasticidade de uma energia vital sem a qual a humanidade se degradaria. Ela só pôs em proveito as possibilidades de um relaxamento global, fundado sobre o mínimo de imaginação, limitando a apreensão do futuro. Entregando-se sem contenção ao gosto pela fraqueza, ela fez da fraqueza um estado constante, sem sabor e sem interesse", merci Bataille (O Erotismo, pg.382).

Moldes-avatar:
Sucumbo ao símbolo
e Outros Figuras.

Dança com Explosivos
embucha do abutre e depois
manda bye-bye, filhos da placa-mãe.


Att: Risadas são códigos.

9.11.07

COMUNICADO

Informamos que sim, há saídas. Mas antes, é preciso arredar qualquer manifestação de falso arrebatamento, falsas instruções, demarcações adulteradas ou inúteis pontos de fuga. É preciso alucinar as transmissões. Bardo. Atenção: música, ritmo e humor. Sem fôlego não haverá rumo. São muitos, todos, cegos em tiroteio. Eles erguem o pescoço; os vampiros estão famintos - e continuam mui seductores.

Mas esta mulher (e todas as anteriores) continuará cantando sobre os escombros enfumaçados, recolherá os ossos e correrá - com os cães e os porcos. Ouçam: Hilda Hilst.


Antes que o mundo acabe, Túlio,
Deita-te e prova
Esse milagre do gosto
Que se fez na minha boca
Enquanto o mundo grita
Belicoso. E ao meu lado
Te fazes árabe, me faço israelita
E nos cobrimos de beijos
E de flores
Antes que o mundo se acabe
Antes que acabe em nós
Nosso desejo.


(Júbilo Memória Noviciado da Paixão(1974)/ Árias Pequenas. Para Bandolim)

3.11.06

putrefadas

homenagem aos defuntos lembrados neste feriado e pelo odor deixado por pessoas que passam

As vezes me perco em lembranças do passado, como se fosse alguma coisa com a qual eu tivesse contato. Bem, tive. E passo tempo demais passando a roupa-suja. Bem, passo. Algumas pessoas convertem-se em cheiros, outras em objetos. O melhor a fazer, neste caso, é me livrar das roupas e dos objetos dignos de associação. Converter a alegoria em simples vestimenta, adereço. Apagar os arquivos existentes. Pensar o passado como uma roupa que me serviu muito bem por um período, passado. Mas o cheiro fica. E por mais que difícil que seja, por mais mole e viva que eu seja, endureço pra não me esquecer - que por melhor e mais caro que seja o shampoo, o odor é sempre o mesmo. não dá pra evitar verdades tão tácteis.

Você usa cosméticos,
no rabo.