9.7.13

Haikus de Allen Ginsberg

 aqui livremente traduzido por tamara e costa


Bebo meu chá
Sem açúcar
 Sem discordar.

Cocô de pardal
de cabeça pra baixo
- ah, meu cérebro & ovos.

Cabeceira Maia num
pacífico tronco de argila
- Um dia vou viver em N.Y.

Olho pelo ombro
meu está traseiro coberto
de flores de cerejeira.

     Haiku de Inverno
Eu não sabia os nomes
das flores--agora
meu jardim desapareceu.

Estapeei o mosquito
e o deixei escapar
- O que me fez fazer isso?

Lendo Haiku
Sou infeliz,
ansiando pelo Inominável.

Um sapo boia
na jarra de fármacos:
chuva de verão no asfalto.

Na sacada
nos meus shorts;
faróis na chuva.

Mais um ano
que se passa - o mundo
não está diferente.

A primeira coisa que procurei
no meu antigo jardim foi
A Cerejeira.

Minha velha escrivaninha:
a primeira coisa que procurei
em minha casa.

Fantasma de mamãe:
a primeira coisa que achei
na sala.

Parei de me barbear
mas os olhos que olhavam para mim
mantiveram-se no espelho.

O louco
surge dos filmes:
a rua na hora do almoço.

Cidades de jovens
estão no túmulo,
e nesta vila...

Deitada a meu lado
no vazio:
a respiração de meu nariz.

No décimo quinto andar
o cão rói um osso-
Guicho para táxis.

De pau duro em Nova York,
um menino
em San Francisco.

A lua sobre telhado,
minhocas no jardim,
aluguei esta casa.



1) Todas as conversas - "Preciso de uma colher para tomar a sopa" - abrem caminho para a Elipse, tudo que eu falo é haiku.

2) A imagem Ocidental (metáfora aristotélica da equidade) é um haiku comprimido.

3) O estudo das principais formas de elipse, haiku nu, pode ser aplicado no avanço das práticas da metáfora ocidental.

4) Hauku= imagens objetivas escritas sem a interferência da mente resultam inevitavelmente na sensação mental das relações. Nunca tente escrever das relações em si, apenas as imagens que representam tudo que pode ser escrito sobre o assunto.

em Allen's Journals (Fall, 1955).



Originais em inglês via Ginsbergblog.


 

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