9.11.09

La Literature et Le Mal, by Georges Bataille

Georges Bataille fala sobre o livro "A Literatura e o Mal" em entrevista realizada pela Ina.fr (França) - em 1958. O entrevistador, deveras estúpido e frugal, chama-se Pierre Dumayet. Segundo o tradutor (do francês para o inglês), esta é a única entrevista registrada com o escritor. Eu, pelo menos, nunca visto nada do gênero antes - somente livros (impressos, diga-se de passagem - no e-books). Em todo caso, arquivo raro. Aqui transcrevo:

Primeiro quero te perguntar sobre o nome deste livro. De qual Mal você fala?
Bataille - Existem dois diferentes tipos de Mal. O primeiro está relacionado a necessidade de humana de ir bem e ter os resultados desejados. O segundo consiste na necessidade de violar alguns tabus fundamentais, como, por exemplo, o tabu contra o assassinato ou contra algumas possibilidades sexuais.

Como agir mal e em função do mal...
Bataille - Sim.

O nome deste livro indica que mal e literatura são inseparáveis?
Bataille - Em absoluto. Talvez não fique muito claro no início, mas para mim é como se literatura estiver afastada do mal, repentinamente se torna chata, cansativa. Isso pode parecer supreendente. Todavia penso que, em breve, se tornará claro que a literatura tem um acordo com a angústia. E essa angústia é baseada em algo que está seguindo o caminho errado. Alguma coisa que inevitável de se transformar em algo do Mal. E quando você faz o leitor perceber isso - ter esta perspectiva -, oferece possibilidade de uma história com um fim do Mal para os personagens, eles serão a causa (terão consciência disso). Agora estou também simplificando sobre o que tratam os romances. Quando o leitor está nesta situação desagradável, o resultado é a tensão que faz a literatura não ser maçante.

Então os escritores, ou qualquer bom escritor sente culpa de alguma coisa enquanto escreve?
Bataille - A maior parte dos escritores não estão sabem disso. Mas penso que existe uma profunda sensação de culpa. Escrever é o oposto de trabalhar. Isso pode não soar lógico, e mais, todos os livros extraordinários representam o esforço que eles (escritores) fazem contra o "real" trabalho.

Você poderia me dizer o nome de um ou dois escritores que se sentiam culpados de escrever? Quem pensou que eram criminosos porque escreviam?
Bataille - Existem dois escritores sobre os quais escrevi em meu livro que são exemplares a esse respeito. Baudelaire e Kafka. Os dois sabiam que estavam ao lado do mal. Por consequência, eles se sentiam culpados. Com Baudelaire é claro pelo fato de ele ter escolhido o título "Flores do Mal" para seus escritos mais íntimos. E com Kafka é ainda mais visível. Ele pensava que enquanto escrevia ia contra os desejos de sua família. Portanto, ele mesmo se colocava na posição de culpado. É fato que a família dele sabia que era algo mal gastar sua vida escrevendo, que a coisa certa a se fazer é se dedicar a atividades comerciais. E caso fizesse algo do tipo escrever,  estaria fazendo algo do mal.

Se escrever é culpado por algo, como Kafka ou Baudelaire, é algo que não é muito responsável.
Bataille - Esta era a opinião da família deles.

Esse tipo de culpa é para eles algo infantil e você pensa que Baudelaire e Kafka se sentiam infantis enquanto escreviam?
Bataille - Penso que isso está muito claro.  Eles sempre diziam, então é como se sentissem na mesma situação de uma criança diante de seus pais. Uma criança que foi desobediente e que têm consciência da culpa. Porque eles pensam serem amados por suas famílias e que estão sempre dizendo a ele o que não fazer. E que isso (escrever) era uma coisa mal de fazer - coisa mais senso comum do mundo.

Mas se a literatura é culpada de infantilidade quando escrita, isso quer dizer que literatura é infantilidade?
Bataille - Penso que existe algo essencialmente infantil na literatura. Pode parecer incompatível para aqueles que admiram a literatura (aqui me incluo). Mas acredito que a verdade fundamental é que você não conseguirá entender o que a literatura significa caso não aproxime do ponto de vista das crianças - o que não quer dizer em menor perspectivqa.

Você escreveu um livro sobre erotismo. Você pensa que o erotismo na literatura é infantil?
Bataille - Não estou certo se a literatura se difere do erotismo nesse respeito. Mas penso que é muito importante perceber o caráter infantil do erotismo em geral. Para sentir o erotismo é preciso estar fascinado como uma criança que quer participar de um jogo proibido. E um homem fascinado pelo erotismo é como uma criança sem seus pais. Ele têm medo do que poderia lhes acontecer, então nunca para até que tenha uma razão para ter medo. Não é suficiente para ele (escritor) somente apenas fazer o que fazem e se contentam os adultos normais, ele tem que se tornar assustador. Ele tem que achar a si próprio na mesma situação de quando era criança e sempre tinha medo de ser repreendido e até mesmo punidos de maneira insuportável.

Talvez eu tenha feito isso soar e você também tem me dado a impressão que você foi condenado por essa infantilidade (?) Bataille pisca o olho... Mas é hora de voltar para o título do seu livro "A literautura e o Mal". Você não me parece ter sido condenado nem pela literatura nem pelo Mal. Você poderia falar mais sobre das idéias do livro?
Bataille - Com toda certeza é um aviso. O livro diz que é perigoso, mas, uma vez que você entende o perigo, tem boas razões para confrontá-lo. Penso que é importante para nós - confrontar o perigo é literatura - um real perigo. Mas você não é um homem se não confrontar aquele perigo. Na literatura podemos ver a perspectiva humana em sua íntegra. Porque a literatura não nos permite viver sem enxergar a natureza humana sob seu aspecto mais violento. É só pensar sobre as tragédias, Sheakspeare. Existem muitos exemplos do gênero. E finalmente, a literatura nos faz perceber o o pior e aprender como confrontar e dar um fim a isso. Rapidamente, um homem que brinca encontra no jogo a força para para dar o fim ao que o jogo contém de horror.

Traduzido do francês para o inglês por hvolsvellir, re-traduzido e transcrito em português por Srta T., ou Madame Felix Culpa.

Ver também: 

4 comentários:

madmax disse...

Cara Tâmara.

Confesso-me muito surpreendido com seu Bloge. Um dos últimos trabalhos que fiz na faculdade foi sobre Bataille, o texto do Kafka, é muito bom.
Adoro o Bataille, e devo confessar que todo o seu Bloge é do meu agrado, nada femenino, isto é, nada a ver com aqueles bloges sic mulher que andam por aí.
Todos os Bloges que tenho adicionados ao meu são, na minha óptica de excelente qualidade.
Gostaria também de enriquecer o meu Bloge com os links dos teus Bloges.
Mas, algo me intrigou, não percebi o teu comentário ao texto de London, nem sei se gostaste ou não gostaste, apenas deixas-te algo pouco difuso e imperceptível.

Saudações

madmax

Tamara Eleutério disse...

Obrigada Max. Mas ainda continuo sendo mulher, dá pra entender? Acho que fica um pouco difícil. Mas eu tenho sexo feminino e gosto de me relacionar sexualmente com homens. Eu sou a Lady Alfa, entre outras mulheres que você talvez não deva conhecer.

Fique a vontade. "Mi" texto, "tu" link, nossa/vossa rede de cada dia.

madmax disse...

Que quer dizer com isso?

Você é brasileira?

Como encontrou meu bloge, o que pensa dele?

Tamara Eleutério disse...

Questões de gênero me irritam um pouco... De nacionalide também, principalmente quando você já experimentou a sensação de responder "sou brasileira", e como - como se isso quisesse dizer algo, ou como se "ser brasileira" em território europeu fosse profissão. Ah, sem querer generalizar, mas generalizando - nesse caso específico possível -, no Reino Unido, em específico em Londres, onde há humanos oriundos das mais vastas bucetas do universo. Fueda. Fueda-nos Brasil!